Richard Avedon

Nastassja Kinski por Richard Avedon

As primeiras fotografias que vi do fotógrafo americano Richard Avedon, nos anos 70, quando começava a me interessar por fotografia de moda fascinaram-me de tal forma que, subitamente passei a pertencer à legião de seus seguidores e a receber sua influência de uma forma que se tornou indelével para mim até os dias de hoje. Àquela época, Avedon já era um Deus, para todos que de alguma forma, transitavam pelo mundo da fotografia de moda e de retratos. Reinava absoluto e era tão célebre quanto as celebridades registradas por sua câmera. Fundou a figura do fotógrafo glamouroso com livre acesso ao mundo chique e elegante de então. Sua carreira durou 60 anos, fotografou de Marlene Dietrich às divas de hoje inclusive nossa Gisele. No eixo Paris, Londres, Nova York, quem importava passou por suas lentes, Marilyn Monroe, Bob Dylan, John Lennon, top models que assim se tornaram ao serem fotografadas por ele, gerações de presidentes americanos, famosos, pseudo-famosos, ativistas anti-stablishment, vítimas da Guerra do Vietnã e anônimos, ilustram as páginas de seus oito livros publicados. Nos anos 50, no auge de sua fama, foi retratado no personagem Dick Avery representado por Fred Astaire, no filme Cinderela em Paris, estrelado também por Audrey Hepburn. Foi eleito em 2002, como o mais influente fotógrafo de todos os tempos, engrossando a fileira de seu séquito de admiradores.

No entanto, a ambigüidade de seu trabalho se fazia sentir a cada livro ou publicação sua. De um lado suas fotos cosméticas comprometidas com os valores da beleza e do bom gosto vigentes; de outro,  seu ativismo político, e sua alma artística produziam imagens chocantes, invasivas e perturbadoras. Mas o rigor e controle absoluto, suas marcas registradas, impunham a todas essas contradições, um estilo forte e muito particular. Suas fotografias eram encenações, dirigia tudo, teatralizava tudo. Dizia que um retrato era sempre uma opinião do fotógrafo, nunca uma representação absoluta do real ou do sujeito fotografado. A tensão entre este controle absoluto e a promoção do acaso fotográfico tão cortejada por ele, tornaram-no único. Suas fotos não pareciam lhe pertencer e sim à uma cooperação quase mágica entre ele e seus retratados. Avedon foi um dos que elevou a fotografia de moda a categoria de arte e ajudou a varrer do mapa grande parte do preconceito intelectual que havia sobre esta. Seus limites transcenderam os pressupostos comerciais de seus clientes,  suas imagens tornaram-se ícones e habitam um sem número de museus e coleções mundo afora.

O dilema da construção artificial, subjacente às fotografias de moda e a autenticidade menos fabricada de seus retratos foram temas polêmicos entre seus seguidores e detratores, mas nada disso arrefeceu seu ânimo. Avedon morreu na semana passada, aos 81 anos, trabalhando no Texas, onde estava realizando um ensaio fotográfico sobre as eleições americanas para a revista New Yorker da qual era contratado havia mais de dez anos. Deixou um legado monumental e inscreveu seu nome no seleto grupo dos grandes artistas do século XX.

Bob Wolfenson

As I was fomenting my interest in fashion photography in the 70s, I came across some photographs by the American photographer, Richard Avedon. They fascinated me and I suddenly became part of his league of followers and have been influenced by him in an indelible way ever since. At the time, all those involved in the fashion and portrait photography world would have seen Avedon as a God. He was as famous as the celebrities he photographed. He inaugurated the figure of the glamorous photographer with free access to the chic and elegant world of the time. His career lasted 60 years; he photographed from Marlene Dietrich to today’s divas, including our Gisele. In Paris, London and New York, whoever was “important” was captured by his lens: Marilyn Munroe, Bob Dylan, John Lennon, top models - who actually became top models after being photographed by him -, generations of American presidents, famous people, pseudo-famous people, anti-establishment activists, victims of the Vietnam war and anonyms illustrate the pages of his eight published books. In the 50s, at the height of his fame, he was portrayed in the character of Dick Avery, represented by Fred Astaire in the film, Cinderela in Paris, also starring Audrey Hepburn. In 2002 he was elected as the most influential photographer of all time, augmenting his row of admirers.  

 

Nevertheless, the ambiguity of his work was felt whenever he published a new book or any kind of publication. On one hand, we had his cosmetic photos, filled with aesthetic values, and on the other, his political activism and his artistic soul produced shocking, invasive and perturbing images. Still, his absolute and rigor control and his registered signature imposed over these contradictions his strong and particular style. His photos were like live scenes, he directed and theatricalized everything. He would say that a portrait is always the opinion of the photographer about the subject being photographed. This tension between his absolute control and the photographic chance, which had been deeply courted by him, made him unique. His photos did not seem to belong to him but to an almost magic cooperation between himself and the people he portrayed. Avedon was one of those who succeeded in elevating fashion photography to the art category and helped eliminate the preconceptions of this photographic genre. His limits transcended the commercial presuppositions of his clients; and his photos became icons and now live in the collections of innumerous museums around the world.

 

The artificial construction dilemma, implicit in both his fashion photos and in his less fabricated authentic portraits, has been a highly polemical debate for his followers and his defamers. Still, none of this cooled down his excitement. Avedon died last week. He was 81 years old, working in Texas on a photographic piece on the elections for New Yorker magazine, where he had been an employed for more than ten years. He left behind a monumental legacy and inscribed his name amongst the group of great artists of the 20th century.

Bob Wolfenson