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Nosoutros

A ideia desta série me ocorreu em 2012, num passeio pela praia de Coney Island, nos arredores de Nova York. Ao iniciar o caminho de volta a Manhattan, observei com interesse uma massa de desconhecidos entre si, que aguardavam para atravessar a rua depois de um dia de lazer intenso sob o sol escaldante do verão nova-iorquino. A postura compartilhada de meros pedestres esperando o sinal abrir os tornava semelhantes, ao mesmo tempo que figurinos e tatuagens, anatomia, cor da pele e atitude (euforia ou introspecção) os distinguia. Fotografei-os com minha Leica de pequeno formato e guardei essas imagens como uma simples curiosidade de viajante. Mais tarde, ao revê-las em meu computador, surgiu a vontade de fotografar e organizar cenas como aquela mundo afora, ressaltando um dos mais marcantes paradoxos do ser humano, tão evidente naquele primeiro instante registrado: o de ser igual e diferente, o desejo de pertencer a um grupo e ao mesmo tempo querer se distinguir dele.

A ambição de criar painéis representativos de identidades humanas diversas me levou a vários países e populações. Um ano depois voltei a Coney Island, devidamente equipado com uma câmera de médio formato cuja performance na captura das imagens em alta definição é sua característica principal – suponho e quero que este aspecto permita ao espectador passear os olhos pelas ampliações e ver até o que o fotógrafo não enxerga quando dispara o obturador. Escolhi também fotografar grupos mais singulares, como os judeus ortodoxos de Crown Heights, os afro-americanos do Harlem, ambos em Nova York, bem como executivos engravatados chegando ao trabalho num típico dia de frio do inverno inglês, na City londrina. No mais, a maioria das cenas mostradas aqui foi feita a partir da procura fortuita de lugares onde o afluxo de transeuntes parecesse adequado ao meu intuito. No entanto, ao postar a câmera em um cruzamento e apontá-la para os que vão atravessar a rua, encontrei naturais desconfianças, mas encontrei também: as velozes transformações dos hábitos urbanos, o s múltiplos signos da moda e a pluralidade étnica cada vez mais comum na vida contemporânea. Tudo isso emoldurado por recortes nas grandes metrópoles e pela condição climática vigente de cada época e local, a qual determinava a roupa e os humores dos passantes.

O processo de realização das fotografias seguiu princípios rígidos: as tomadas foram sempre feitas em cruzamentos ou faixas de segurança, e as pessoas estavam de fato naqueles lugares, mesmo que não tenham sido fotografadas no mesmo momento em que as que aparecem a seu lado na cópia final. Fiz algumas montagens para ressaltar os pressupostos que me levaram a realizar esta ideia. Por mais racional que seja uma empreitada como esta, o imponderável estará sempre presente enquanto houver o instante fotográfico. Nos anos em que me dediquei a este trabalho, pude perceber claramente que quando se está com uma máquina fotográfica no meio da rua, mesmo que com um tripé e com conceitos específicos em mente, não se pode controlar muita coisa. A rua é viva e nos impõe essa vivacidade.

Apresentado na Galeria Millan (São Paulo) em 2017.

Bob Wolfenson

Ourselves

The idea for this project took place in 2012, during a day trip to Coney Island, on the outskirts of New York. On my way back to Manhattan, I noticed, attentively, strangers who were waiting to cross the street under the blistering sun of a New York summer day. Their collective posture - that of mere pedestrians waiting for the green light - made them look very similar, yet, their clothes and tattoos, their anatomy, skin colour and attitude (introspective or euphoric expressions) distinguished them apart. I photographed them with my small-format Leica and kept these photos as simple mementos of a traveller. Later on, when looking over them on my computer, an urge took over me to photograph and organise scenes like that in different places around the world, highlighting one of the most striking paradoxes of the human being, so evident in that first registered moment: that of being alike yet different, the desire to be part of a group and at the same time, the need to stand out.

 

This ambition of mine, to create representative panels of diverse human identities, drew me to many countries and cultures. A year later, I returned to Coney Island, this time well-equipped with a medium-format camera, whose performance in capturing images in high definition is its main characteristic – I suppose and wish that this aspect will allow the spectator to roam its eyes over the enlarged images and identify details that even the photographer failed to see when releasing the shutter. I also decided to photograph more particular groups, such as the orthodox Jews of Crown Heights, the African-Americans of Harlem, as well as suited up executives on their way to work in London, on a typical English winter morning. What’s more, most of the scenes shown here derive from my fortuitous search for places where the influx of people seemed adequate to my objective. However, as I placed the camera at a zebra crossing and pointed it at pedestrians, I faced a form of instinctive suspicion, but I also witnessed: the rapid transformations of urban habits, the multiple fashion motifs and the ethnic plurality that is becoming ever more prevalent in contemporary life. This is all framed by fragments of the major metropolises and by the climatic conditions of each location, which determined the passers-by’s clothing choices and mood.

 

The process of creation of these photos followed some strict principles: the takes were exclusively carried out at zebra crossings or security passages, and the people were present in reality at the locales where they are shown, even though some of them were not photographed side by side, as shown in the final copy. I produced some montages in order to emphasise the very presumptions that made me cultivate this idea. As rational as a project like this may seem, the unexpected will always pervade when dealing with the photographic moment. During the years that I dedicated myself to this project, I quickly came to realize that even with a tripod in hands and a precise plan in mind, not much can be controlled when you have a camera in the middle of the streets. The streets are alive and this liveliness is imposed upon us.

Shown at Galeria Millan (São Paulo) in 2017.

Bob Wolfenson