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Seizures

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Desnorte

     Nasci no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, à época um “gueto” da comunidade judaica. Fui criado no caldeirão sincrético judaísmo/socialismo. Meus pais, ao me darem despretensiosamente uma câmera simples, fundaram em mim o fotógrafo que eu viria a ser.

A inquietação, a indisciplina e certo humor cáustico eram idiossincrasias de minha personalidade na infância e me acompanham até hoje, mais domadas, obviamente, pelas circunstâncias da vida. Certamente essas características estão coladas às imagens produzidas por mim ao longo destes anos.

    A morte do meu pai foi o que definiu o meu ofício com a fotografia. Eu tinha 16 anos e precisei começar a trabalhar; o emprego que consegui foi como aprendiz no estúdio da Editora Abril. Daí em diante, fui sendo conduzido por uma ambiguidade que me aproximava e me afastava da profissão, até que uma espécie de chamado vocacional se apossou de mim, amalgamando-me à minha fotografia de tal forma que hoje é impossível dissociar-me dela. Eu sou ela e vice-versa.

     Para marcar os 50 anos de minha trajetória desde então, lanço este Desnorte, obra, cuja desordem temática salta aos olhos e é parte constituinte e deliberada desta edição. Dispor lado a lado imagens de épocas, assuntos e lugares díspares – até mesmo inconciliáveis – é um desafio enorme quando se pretende, de forma sucinta, dar conta de uma carreira tão longa. Esse processo não foi feito, é claro, amontoando fotografias caçadas aleatoriamente. Há uma lógica e uma ordem: retratos, fotos de moda, polaroides, imagens extraídas de meus livros/exposições, fotos de viagens turísticas e de viagens em busca de locações, anotações fotográficas, álbum de família e muitos nus femininos feitos para trabalhos comissionados. Todas essas imagens estão aqui reunidas numa colcha de retalhos que embaralha o jogo da percepção do multifacetado fotógrafo que sou.

     Coletar imagens no meu acervo e conectá-las a outras, de forma a traçar novos nexos e narrativas foi o meu (des)norte. Como os músicos fazem com suas canções antigas, atualizei as fotografias, remixando-as e recontextualizando-as. Este novo trabalho é o resultado dessa intrincada busca.

     E sigo reafirmando as possibilidades, advogadas por mim desde há muito tempo, de transitar pelos vários gêneros da fotografia e de passar despudoradamente de uma vertente a outra sem a necessidade do salvo-conduto de ser um especialista monotemático. Nada contra a ser monotemático, de verdade, apenas não é a minha; em que pese já ter feito alguns trabalhos cujo tema equivalia a um continente todo.

     Finalmente, uma edição comemorativa não foge à regra do olhar retrospectivo. Muito embora eu ainda esteja muito ativo em minha produção, o zumbido da retrospectiva vem com cheiro de éter – e dá medo. Olhar para trás mexe também com a questão de como vagar pelos vazios e incertezas do futuro. Nestes tempos funestos do mundo, e particularmente do Brasil, o medo ganha proporções ainda maiores. 

     

     Contudo, resistir – na acepção mais abrangente do termo –, na vida pessoal, profissional e política, é legado de minha formação primeira, e é resistindo que sigo.

     

     Sigamos.

    

     Bob Wolfenson

Disnorth

     I was born in São Paulo, in Bom Retiro, a neighborhood, which, back then, was a Jewish “ghetto”. I was raised in a syncretic melting pot of Judaism and socialism. My parents, in gifting me with a simple camera, unwittingly set me on the path to become a photographer. As a child, restlessness, indiscipline and a certain caustic humor were some of my idiosyncrasies, and they remain so to this day, albeit tamed, naturally, by the circumstances of life. These characteristics are invariably conveyed in the images I’ve produced over the years.

 

     My father’s death was a defining moment in my life, launching me headlong into a photography career. I was only 16 and I had to start working; I landed a job as a studio apprentice at Editora Abril. From then on, I was led by an ambiguity which brought me closer to – but which at times also distanced me from – the profession. One day, however, I yielded to a kind of vocational calling, after which I became one with my photographs – to such an extent that, today, I find it impossible to dissociate myself from them. I am my photographs and vice versa. 

 

     To celebrate my 50 years of photography, I am bringing out Desnorte [Adrift], whose deliberate thematic disorder plays a constitutive part in this edition. Displaying photographs of different – perhaps irreconcilable – places, times and themes side by side poses an enormous challenge when one wishes to cover, even if succinctly, a career spanning so many years. This, of course, wasn’t done by kludging together randomly selected pictures. There is a logic and an order to it: portraits, fashion photographs, polaroids, pictures extracted from my books/

exhibitions, pictures taken while traveling or location scouting, photographic annotations, family album pictures, and a number of female nudes made on commission.

 

     These images were collected and woven into a patchwork that offers alternating perspectives of my multifaceted photography.

 

     Selecting pictures from my personal archive and establishing relationships between them, so as to create new nexuses and narratives, is what guided me. Like musicians do with their old songs, I have updated these pictures – remixing and recontextualizing them. This new work is the result of an extensive and intricate search. And I continue exploring and reaffirming the possibilities – which I’ve long championed – that arise from moving freely among the many genres of photography and from crossing over unreservedly from one to the other without having to be, or to become, a specialist in this or that genre. I have nothing against being monothematic, really, it just isn’t my thing; having said that, some of my work often focused, inadvertently, on a single theme or subject.

     

     And lastly, a commemorative edition never escapes the retrospective gaze. Even though I still have a very active and prolific photographic output, rumors of a retrospective are usually accompanied by the smell of ether – and it’s frightening. In looking back, one also touches on questions of how to approach the emptinesses and uncertainties of the future. In these dire times – the world over, but especially in Brazil – fear takes on even greater dimensions. 

     

     Resistance, however – in the broadest sense of the term –, in my personal, professional and political life, was part of my upbringing, and it is by resisting that I keep moving forward.

     Let’s keep moving forward.

     Bob Wolfenson