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Cinepolis

A história da fotografia mostrou, particularmente nos anos sessenta, que talentosos fotógrafos de moda podiam abrir mão da produção de imagens de grande eficácia técnica e formalmente sedutoras. Foi assim que Richard Avedon e, sobretudo, Diane Arbus serviram-se de vias que questionam a espécie humana.

 

Na mesma época, no início da sociedade do espetáculo, Blow Up, o filme de Antonioni, mostrava um fotógrafo que tinha muito a ver com David Bailey. Ele fazia uma investigação a partir de uma fotografia de um bucólico parque britânico. Em um filme posterior, Profissão Repórter, o mesmo diretor retomava mais uma vez a figura do fotógrafo como questionamento da identidade.

 

 O gosto pela contemplação e a busca de um além das aparên-

cias empurram também Bob Wolfenson para fora do estúdio. Para Cinépolis, série inédita, o fotógrafo escolheu uma câmera digital de reportagem propícia à aventura. Ele buscava uma maleabilidade análoga à da Nikon com a qual descobriu, com emoção, o mundo e a fotografia na adolescência.

 

Cinépolis começa como Alphaville de Godard e Mulholland Drive de Lynch: uma trama policial, uma investigação em uma cidade global, uma identidade a ser encontrada, um mundo de imagens...

 

A aventura começa à noite, continua na cidade esquadrinhada pelos dispositivos de segurança e de vigilância, prossegue em uma bela fuga em direção à luz, ao mar, à infância. Alice nas Cidades, Paris-Texas nos vêm à mente.

 

Cinépolis é também um percurso íntimo: os lugares, as pessoas, freqüentemente estão ligados à atividade profissional ou à vida familiar do fotógrafo. O carro, o corte da paisagem pelo pára-brisa, o movimento, formam uma máquina de visão familiar que se origina na infância, especificamente na estrada de Santos, o caminho do mar.

 

A bela fuga é também mental. Trata-se de devolver à fotografia seu poder de desencadeadora do imaginário. “ Cada fotografia é o começo de um filme” afirma Win Wenders. As megalopolis agrupam a maioria da população. As imagens, sua multiplicação até a saturação e sua mercantilização, mudam nossa relação com o mundo e com a identidade. Isso não é uma fatalidade nem um acaso. É o resultado de uma estratégia de tomada de controle e, por conseqüência, de poder. Estratégia de venda na sociedade do espetáculo para a qual tudo se tornou produto à venda e o que importa é a imagem, mesmo na política.

 

Cinépolis passa em revista os fatos que em uma geração mudaram a cidade e a vida, e que, por sua construção e sua forma, suscitam questões amplas e complexas. Este é o caso de uma reflexão artística inquietante e que atingiu a maturidade.

 

Pierre Devin, Curator, São Paulo, March 2009 

Cinepolis

The history of photography demonstrated, particularly during the sixties, that talented fashion photographers could give in to the production of formally seducing images and those of considerable technical efficiency. It was in this way that Richard Avedon and above all, Diane Arbus, used means that question the human species. 

 

Simultaneously, at the beginning of the society of the spectacle, Antonioni’s film, Blow-up, portrayed a photographer who had a lot in common with David Bailey. He executed an investigation based on a photo of a bucolic British park. On a later film, The Passenger, Antonioni explored once again the image of the photographer as a way to question identity. 

 

The appreciation for contemplation and the search for something beyond the physical appearance also pushed Bob Wolfenson out of the confines of his studio. For the exceptional series, Cinepolis, the photographer chose a digital reporting camera, favourable for adventures. He searched for the malleability analogous to the Nikon, the camera he used to discover, with excitement, photography and the world itself during his teenage years. 

 

Cinepolis begins like Godard’s Alphaville and Lynch’s Mullholland Drive: a police thriller, an investigation set in a cosmopolitan city, an identity to be found, and a world of images… 

 

The adventure begins at night, continues in the city filled with security and surveillance devices, and progresses towards a beautiful escape, aiming towards light, sea and childhood. Alice in the Cities and Paris-Texas comes to mind. 

 

Cinepolis is also an intimate route: the places, the people, are often connected to the photographer’s professional activity or personal life. The car, the fragmentation of landscapes by the windshield, the movements; all form a familiar vision machine that stems from his childhood, specifically down the Santos highway, en route to the sea. 

 

The beautiful escape is also mental. It gives the image back its power to trigger the imaginary. “Every photograph is the beginning of a film,” states Win Wenders. The megacities bring together the great majority of the population. The images, from their multiplication to their saturation and commodification, have the power of changing our relationship with the world and with identity. This is not a fatality, nor a coincidence. It is the result of a strategy of control and consequently, of power. A sales strategy in the society of the spectacle, where everything is a commodity and what matters is the image, even in politics. 

 

Cinepolis examines the facts that changed the city and life itself in a generation. And, through it’s structure and form, it raises broad and complex questions. It is an example of a distressing and mature artistic reflection. 

 

Pierre Devin, Curator, Sao Paulo, March 2009.