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Antifachada - Encadernação Dourada

Após quase dez anos longe do circuito de exibição das artes visuais, o fotógrafo Bob Wolfenson nos surpreende com dois ensaios – Antifachada e Encadernação dourada –, que, apresentados juntos, despertam a reflexão sobre nosso relacionamento com a cidade e inspiram uma nostálgica revisão, com certo distanciamento, dos nossos álbuns de fotografias esquecidos nos cantos da memória. Com esses trabalhos, BW demonstra ter a capacidade e o dever do artista, capaz de nos instigar, apresentando, com uma nova perspectiva, um olhar sobre São Paulo e sobre nossa vida, com evidências que nos provocam sentimentos tão desconfortáveis diante daquilo que é óbvio: a exposição de um retrato da nossa complexa interioridade, onde a identificação entre lembrança e emoção estética é evocada para recuperar uma experiência vivida.

Essa demonstração explícita de imprimir ao mundo uma misteriosa ordem interior, presente nas fotografias aqui selecionadas, denota que, apesar do caos resultante da falta de planejamento do espaço urbano e da irresistível improbabilidade de controle do cotidiano da vida, BW encontra verdadeiros extratos de pureza e harmonia no registro das formas, como se estivesse buscando (re)ordenar seus desejos, equilibrar seus sentidos e (re)encontrar sua história. Suas imagens irrompem da memória como se fossem flashes distantes da febre contemporânea do tempo real, para imporem-se como fragmentos visuais que se materializam como um inquieto manifesto da difícil existência humana.

O que é possível flagrar, nestes ensaios tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão umbilicalmente conectados, é a presença de um território de confronto. De revelações, estranhamentos e confissões. O fotógrafo escolhe caminhar por um fio de navalha que nos desafia e nos comove. Tudo simultaneamente, buscando, nesse dentro e fora, a memória confinada de um tempo remoto. Campos de silêncio que permite ao observador se envolver em cada imagem como se fosse uma verdadeira aventura que implica, como no cinema, uma incrível duração experimental.

Antifachada e Encadernação dourada são experiências estéticas autorais, em que o espaço absoluto, relacionado num tempo idealizado, legitima a nostalgia que o homem tem dele mesmo. Nostalgia de sua história e de sua passagem no jardim das delícias efêmeras. A luz quase soturna que ilumina a cidade de São Paulo vai contrastar com as diferentes luzes dos snapshotsdo cotidiano; a geometria criativa que salta aos olhos, resultado da superposição dos diferentes estilos dos edifícios de São Paulo, se diferencia da composição imperfeita dos momentos de íntimas evidências luminosas. Enfim, BW acentua a dissonância entre o excessivamente técnico e a simplicidade de uma fotografia quase despretensiosa, criando uma possível estratégia que revela uma passagem tranquila, quase natural, da transição de um espaço público para um espaço de intimidade.

A monumentalidade e a repetição do espaço público em contraste com a privacidade; o distante e o próximo; o fora e o dentro; o grandioso e o pequeno; a exclusão e a inclusão; o anonimato e o imediatamente reconhecível. Esse confronto de ideias, essa justaposição de conceitos é a pedra de toque desses trabalhos, tão diferentes e tão semelhantes. São possibilidades já utilizadas por outros artistas, que, num determinado momento de sua trajetória, buscam as referências de uma memória esquecida e abandonada pelos atropelos e imposições diárias da vida. A cidade e a família como modelo e referência. Modelo pela proximidade, e referência como registro dos instantes captados para a eternidade. Imagens de um tempo feliz, que passa veloz, e cuja existência, na plenitude da imagem, de alguma forma a fotografia tenta assegurar.

Enfim, os ensaios evocam os lugares como indicadores do tempo que passa. Antifachada mostra que a paisagem urbana é inacessível para o andante, mecanizado e veloz, que não olha, não observa, não concretiza a experiência de relação com o espaço circundante e sua escala grandiosa. Encadernação dourada privilegia o relato visual intimista, apreendido na ambiguidade, na tentativa de organizar os movimentos sucessivos – o lazer, a liberdade, o deslocamento, os encontros, as lembranças – que denotam uma pluralidade sensível dos momentos prazerosos.

Na verdade, nestes trabalhos, BW percebe o espaço e trata-o visualmente como se estivesse numa posição de espectador diante do fantástico espetáculo da vida. Estabelece uma relação direta entre olhar a paisagem e registrar a cena, consciente de que essa atitude, de raridade momentânea, deixa entrever que a melancolia e a solidão são expressas como superação da individualidade. Aparentemente, não tem poesia nisso, mas, quando o espectador inicia o longo percurso da leitura visual na tentativa de compreender o conjunto das ideias, exibidas com singularidade e competência, é possível encontrar o lirismo neste entrelaçamento de percursos, que abrem caminhos para nos perdermos na loucura da imaginação.

Antifachada

Este ensaio trata do tempo presente, do aqui e agora, para conciliar as referências do passado e do presente, embaralhando-as num jogo de identidade e relação. O conjunto imagético mostra o complexo e dinâmico espaço da metrópole contemporânea. Apesar dos planos gerais e amplos, BW exige uma concentração intensificada, já que são os detalhes selecionados pelo espectador que trarão a satisfação visual e individual. Como se fosse possível fazer a invocação de uma gestalt longínqua de um complexo explosivo, de estranhas significações.

Às vezes, numa primeira impressão, as fotografias parecem um bloco monolítico, sem diferenças. Mas um olhar mais aprofundado vai nos mostrar que esse efeito aparente de um padrão é fascinante, pois evidencia o caos e as diferenças formais entre os edifícios. Caos e padrão relacionam-se dialeticamente para provocar um poderoso efeito visual quando estamos imersos na imagem, tentando ver com clareza um horizonte poético trágico na sua inutilidade.

A ideia de fotografar a cidade estava germinando há muito tempo. Mas foi preciso um longo almoço no Bar do Léo, e depois um passeio no centro velho, como um flâneur baudelairiano, numa tarde que irradiava uma luz especial, para BW perceber a beleza numa cidade que todos parecem achar feia. Uma beleza interessante, nova, capaz de detonar um processo criativo e aflorar uma ideia que já estava pulsando, mas que explodiu num instante de aguçada percepção.

A São Paulo de BW não tem horizonte, não tem céu, não tem chão. A lente comprime os planos, o recorte ressalta a superfície irregular da trama visualizada, e a imagem nutre-se da total ausência da perspectiva fotográfica. A miséria e a grandeza; a possibilidade e a impossibilidade; a grandiloquência e a atomicidade; o público e o íntimo. Tudo isso é percebido através das centenas de janelas presentes nas fotografias, nos transformando, no ápice da “janela indiscreta”, em voyeurs maravilhados neste vasto território de inequívoca abstração visual. Ao mesmo tempo, exibe-se a desumanidade de viver dessa maneira: amontoados uns sobre os outros, sem estabelecer elos nem articulações, permanecendo isolados.

BW radicalizou a possibilidade ficcional e transformou a cidade com uma luz intencionalmente opressiva, sufocante. A cidade parece explodir nesse espaço claustrofóbico. Também o tom das imagens foi selecionado após várias tentativas de alterar a cor da imagem no computador. A ideia inicial era mostrar a cidade como se o ar estivesse rarefeito, que desse a sensação de opressão. Uma imagem que fosse inóspita o suficiente para iconizar a crítica situação de viver em São Paulo.

Outra decisão importante para o desenvolvimento do trabalho foi a escolha do grande formato para as ampliações fotográficas, que tentam romper nossa relação com a fotografia, por meio das surpresas visualizadas nos detalhes que instigam nossa sensibilidade. Ao mesmo tempo que provocam o espanto, as fotografias têm uma escala que invade nossa consciência e trazem uma experiência que não nos permite criar um sentimento de comunhão nem de solidariedade. Esse estranhamento inicial altera por completo nossa percepção do espaço, deixando-nos atônitos quando tentamos aceitar nossa limitação perceptiva para compreensão da complexidade da forma urbana contemporânea.

Outro diferencial no trabalho de BW é que somos conduzidos a lugares inacessíveis, graças a sua ousadia de buscar ver a cidade por meio dos pontos inexplorados, de difícil acesso. Daí o impacto visual resultante dessa estratégia, que pressupõe que a tessitura do espaço urbano pode ser rompida pela escala cada vez mais surpreendente da cidade e pela constante abstração da compreensão dos processos urbanos e das relações sociais.

Ao observar atentamente essas fotografias, podemos verificar o quanto a cidade, construída aleatoriamente, pode nos surpreender. Nas inúmeras janelas dos edifícios, é possível verificar como os moradores se arranjam para resolver seus problemas domésticos. O varal de roupas, a bicicleta, as antenas parabólicas, os “puxadinhos”, o espaço verde, os espaços publicitários, os diferentes estilos, todos convivem livres do estigma de uma identidade, numa harmonia dissonante tipicamente paulistana.

Não existe um consenso unânime do que significa viver em São Paulo. Paradoxalmente, na cidade de BW não vemos os engarrafamentos infernais, não percebemos os seus diferentes cheiros, nem ouvimos seus ruídos proliferados no espaço. Somente um silêncio devastador na imagem da cidade cosmopolita. Apesar da visão crítica, as fotografias apontam para o princípio da racionalidade arquitetônica em permanente conflito com a irracionalidade da construção do espaço urbano. São Paulo parece transformar-se num espaço da alienação e da solidão claustrofóbica.

Fotografando a cidade desse ponto de vista, BW provoca-nos um êxtase ilimitado ao exibir sua percepção do desenho nascido dessa lógica perversa. Nosso corpo, quando vagueia pela imagem da cidade, não está mais envolvido pelas ruas e referências que o fazem circular e reconhecer o espaço. Os limites são impostos não só pela assustadora escala construtiva, mas também por meio de uma técnica precisa. BW cria um impecável ensaio, realista-minimalista, da metrópole contemporânea nos seus 450 anos. Nessa declaração apaixonada por São Paulo, ele comprova não só o poder da imagem, mas faz emergir uma estranha sensação de deslocamento que nos permite reencontrar a beleza desta cidade, que se esconde nos interstícios de uma trama paradoxalmente funcional. Nada é explícito, pois, em contraste com essa aridez quase sórdida, BW deixa aflorar a sutileza de seu olhar, que vê a cidade com uma atmosfera singular, de inacabamento, em permanente mutação.

Antifachada é um ensaio rompante que homenageia a cidade de São Paulo e, ao mesmo tempo, reconstrói a vontade de rever certas imagens que habitavam o imaginário do menino BW, que, no início dos anos 1960, no Bom Retiro, percebia a cidade como um amontoado de objetos estranhos: fios, transformadores, postes, edifícios altos vistos de baixo para cima, janelas ordenadas numa repetição sem fim. Ele acredita que sua percepção de São Paulo como uma cidade opressiva, dominadora e, ao mesmo tempo, linda e sedutora nasceu naquele momento, em que registrava tudo na imaginação sem limites. Antifachada é um trabalho profundamente pessoal, de uma aguçada percepção que capta a vida num fluxo diferenciado. Transformado agora nesse ensaio expressivo, instigante, não tem a pretensão de esquadrinhar a cidade do ponto de vista descritivo, muito menos ideologizar a cidade, mas exaltá-la em sua plenitude: plural e espetacularizada na fotografia.

Encadernação Dourada

A ideia deste ensaio era muito mais a de um álbum de fotografias da intimidade cotidiana, peça única que seria vista pelos amigos e pelos familiares. Ao publicá-lo, BW consegue trazer para outro circuito uma produção mais simples, sem o glamour das imagens encomendadas, sem a pretensão da exaltação momentânea. Encadernação dourada propõe imagens circunstanciais de uma vida, contemplando os diversos momentos de uma trajetória, retratando as pessoas que foram os faróis que iluminaram os diferentes caminhos desbravados pelo artista.

A edição das fotografias foi desenvolvida com a intenção de registrar uma história, por meio dos fragmentos de diferentes tempos, que indiciam as particularidades de um percurso, que na realidade parecem ser imagens que pertencem a um imaginário coletivo. Na sociedade contemporânea é comum a falta de vontade e a incapacidade da sociedade em querer lembrar. Por isso, essas imagens ganham uma dimensão estética e histórica, pois são memórias coletivas imaginadas, sonhadas, eventualmente vividas. Os momentos flagrados por BW representam, com diferentes intensidades, a dimensão experimental de uma fotografia que busca, com simplicidade, ultrapassar os limites para atingir a essência humana.

As fotografias iconizam o espetáculo do cotidiano. Nada dos exageros da representação, apenas registros do caráter efêmero dos papéis vividos, vistos pelo fotógrafo com um olhar dispersivo, mas profundamente consciente, pois a intenção é apreender o mundo visível diretamente dos acontecimentos. Os fragmentos são montados de forma a contar a história do artista que procurou ver o mundo com a lente que amplia os detalhes e dilata a percepção. BW não quer ocultar a passagem do tempo, quer contribuir para a construção de uma memória particular, que se generaliza com intensidade suficiente, capaz de despertar o prazer visual e a esperança de uma descoberta individual.

A unidade e a incrível coerência da edição estão asseguradas neste trabalho, inicialmente produzido sem a intenção de ser glorioso. Certa vez, o pintor Iberê Camargo afirmou que “as figuras que povoam minhas telas envolvem-se na tristeza dos crepúsculos dos dias de minha infância”, e podemos sentir esse clima nas fotografias de BW, nesta série produzida durante uma vida inteira, e que nos últimos oito anos vem ganhando uma articulação, uma reconfiguração sintática capaz de irradiar a emoção da experiência vivida. Essa leitura encadeada das suas memórias visuais dá uma intensidade à vida em seu esplendor radiante e luminoso. Por estar muito próximo de um horizonte poético reconhecível, desconcerta nosso olhar apressado sobre o Outro.

O que é possível detectar em Encadernação dourada é uma incrível transparência comunicativa. Nada de superações técnicas. O que BW buscou apreender foi, por meio de retratos produzidos no estúdio e de uma série de snapshots, um discurso visual que entende a vida como uma sucessão de fragmentos seletivos realizados em um dia qualquer, quando tudo parece emergir de um estado precário, que determina o clima e a incerteza da inexistência do absoluto. O traço dominante deste trabalho é justamente essa energia encontrada pelo fotógrafo, manifestada tanto pela composição espontânea como pela pulsação íntima e intuitiva.

BW demonstra que, de tempos em tempos, apesar do excesso de trabalho e dos compromissos assumidos, no interior do artista germina uma inquietação que faz explodir os seus múltiplos interesses – cinema, música, moda, quadrinhos, entre outros. Nos dois ensaios percebemos que habitam, simultaneamente, um fazer fotográfico, excessivamente técnico ou não, pouco importa, pois o que vale é a vida vibrando em cada imagem. Por isso mesmo podemos sentir que sua experiência especulativa com o mundo das imagens é capaz de produzir estas duas possibilidades: a de (ver)(a)(cidade) e a tranquila estranheza visual do sonho do inconsciente coletivo.

Rubens Fernandes Junior

Antifaçade - Golden Binding

After ten years away from the visual arts exhibition circuit, the photographer Bob Wolfenson surprises us with two essays – Antifachadaand Encadernação dourada –, which, set together, stir up a reflection on our relationship with the city and inspire a nostalgic retrospect, somehow distant, of the photo albums that we forgot in a corner of our memory. In these works, BW shows the capacity and the duty of the artist, able to instigate us by presenting, under a new perspective, a new way of looking at São Paulo and our life, with evidences that arise feelings of discomfort before what it obvious: the exhibition of our complex interiority, in which the identification between memory and aesthetical emotion is called up to recover an experience of life.

This explicit demonstration of how to impress the world with a mysterious inner order, present in the selected photographs, indicates that, despite the chaos resulting from the lack of urban space forward planning and the irresistible improbability of everyday life control, BW finds true essences of purity and harmony in the register of the forms, as if he was trying to (re)organize his wills, to balance his feelings and (re)encounter his history. His images burst out from memory as if they were flashes distant from the contemporary fever of real time, to impose themselves as visual fragments materializing as the restless manifest of the hard human existence.

In such essays, at once so different and so intrinsically connected, one can notice the presence of a conflict ground; of revelations, unfamiliarity and confessions. The photographer chooses to walk upon a razor’s edge that challenges and touches us. And at once, through this in-and-out, he searches for the memory confined in a distant time. These fields of silence allow the observer to get involved in each image as if it were a true adventure that, as in a movie, implies an incredible experimental duration.

Antifachada and Encadernação dourada are authorial aesthetical experiences, in which the absolute space, related into an idealized time, legitimates the nostalgia that the man has of himself; Nostalgia of his own history and of his passage in the garden of ephemeral delights. The almost gloomy light enlightening the city of São Paulo contrasts with the various lights of the daily snapshots; the creative geometry striking the eyes, resulting from the superposition of the different building styles of São Paulo, distinguishes itself from the imperfect composition of moments of intimate and lighting evidences. At last, BW highlights the dissonance between what is excessively technical and the simplicity of an almost unpretentious photograph, creating a possible strategy that reveals a quiet and almost natural passage, the transition from a public space into a space of intimacy.

The monumentality and repetition of the public space contrasting with privacy; the distant and the close; the outer and the inner; the huge and the small; the exclusion and the inclusion; the anonymous and the immediately identifiable. The conflict of ideas, this juxtaposition of concepts is the touchstone of these works, so different and similar. Such possibilities have already been used by other artists who, in some moment of their trajectory, searched for the references of a memory, forgotten and abandoned by the daily accidents and impositions of life; the city and the family as model and reference; model by the proximity and reference as a register of the moments captured to eternity. Images of a happy quick moment, of which existence, in the fullness of the image, the photograph somehow tries to guaranty.

Finally, the essays refer to places as indicators of the passing time. Antifachada shows that the urban landscape is inaccessible to the passer-by, mechanized and fast, who does not look, does not observe, and does not concretize the relationship with the surrounding space and its huge scale. Encadernação dourada focuses on an intimist visual description, perceived in the ambiguity, in the attempt to organize the sequential movements – leisure, freedom, displacement, meetings, memories –, which reveal a sensible plurality of moments of pleasure.

Actually, in these works, BW feels the space, visually treating it as if he were a spectator before the fantastic spectacle of life. He sets up a direct relation between the fact of seeing a landscape and the register of the scene, conscious that such attitude, of momently rareness, and foresees that melancholy and loneliness are expressed as the fact of overcoming individuality. Apparently, there is no poetic in such things, but, when the spectator starts the long journey of visual lecture to understand the ideas as a whole, shown with singularity and skillfulness, one can find some lyricism in these intertwined journeys, which pave the way so that we can lose ourselves in the madness of imagination.

Antifaçade

This essay deals with the present time, with here and now, to conciliate the references of past and present, mixing them up by playing with identity and relationship. The set of images shows the complex and dynamic space of the contemporary metropolis. Despite the long and wide shots, BW requires an intensified concentration, since the details selected by the spectator will cause the visual and individual satisfaction. As if it was possible to bring the invocation of a distant gestalt of an explosive set, of strange meanings.

Sometimes, at first impression, the photographs seem o monolithic block, without any difference. But, as we look closer, we see that such apparent effect has a fascinating pattern, as it clearly shows the chaos and the formal differences between the buildings. Chaos and pattern dialectally connect themselves to cause a powerful visual effect when we are immersed in the image, trying to clearly see a tragic poetical horizon in its uselessness.

The idea of photographing the city sprung up long ago. But a lengthy lunch at the Bar do Léo followed by a tour through the old downtown, as a Baudelairian flâneur, during an afternoon that irradiated a special light, was necessary so that BW could see the beauty of a city that everybody seems to find ugly. As interesting beauty, new, able to cause a creative process and delineate an idea that was already pulsing, but burst out in a moment of intense perception.

BW’s São Paulo has no horizon, neither sky, nor ground. The lens squeezes the shots, the cropping highlights the rough superficies of the visual texture, and the image feeds itself with the total lack of photographic perspective. Misery and hugeness; possibility and impossibility; grandiloquence and atomicity; public and intimate. All is discerned through hundreds of windows present in the photographs, transforming us, in the apex of “Rear Window”, in amazed voyeurs in this wide ground of unequivocal visual abstraction. At the same time, the inhumanity of such way of living is shown: stacked on top of each other, without setting up links or articulations, thus isolated.

BW radicalized the fictional possibility, transforming the city with intentionally oppressive and suffocating light. The city seems to explode in such claustrophobic space. And the tone of the images also was selected after several attempts to change the color of the image through computer. The primal idea was to show the city as if the air was rarefied, giving the feeling of oppression. An image inhospitable enough to iconize the critical situation of living in São Paulo.

Other important decision for the development of the work was the choice of the wide shot for the photographic blowups, which tried to break out our relationship with photography, through the amazing details that instigate our sensibility. Just as they cause amazement, the photographs show a scale that invades our consciousness and bring an experience which is not allowing us to create neither a feeling of sharing, nor of solidarity. The primal singularity totally alters our perception of space, letting us perplexed when we try to accept our perspective limits for the understanding of the contemporary urban form complexity.

Other differential in BW’s work stays in the fact that we are driven to inaccessible places, thanks to the audacity of trying to see the city through its unexplored places, those of difficult access. From this results the visual impact of such strategy, which presumes that the structure of the urban space can be broken apart by the each time more amazing scale of the city and through the constant abstraction of the understanding of urban processes and social relationships.

As we mindfully observe these photographs, was can verify how the city, randomly built, surprises us. In the innumerous windows of the buildings, we can verify that the inhabitants managed to solve their domestic issues. The clothes-lines, the bicycle, the parabolic antenna, the additions to the homes, the green spaces, the advertising spaces, the different styles, all together live free from the stigmata of an identity, in a dissonant harmony which is typical of São Paulo.

There is no unanimous agreement on what means to live in São Paulo. Paradoxically, in BW’s city, we do not see the terrible traffic jams, we do not discern the different smells, nor do we hear the noises proliferated into space. Only a devastating silence in the image of the cosmopolite city. Despites of the critical vision, the photographs point to a principle of architectural rationality in permanent conflict with the irrationality of the urban space construction. São Paulo seems to transform itself into a space of alienation and claustrophobic loneliness.

By photographing the city from this point of view, BW causes in us an unlimited ecstasy as he shows this perception of drawing born from this perverse logic. Our body, as wandering through the city, is not involved anymore by the streets and references that make him walk around and identify the space. The limits are imposed not only by the terrifying constructive scale, just as through a precise technique. BW creates a perfect essay, realist-minimalist, of the contemporary metropolis in its 450 years. In such flaming declaration to São Paulo, he proves not only the power of the image, but also makes emerge a strange feeling of displacement through which he can find again the beauty of this city, although hidden in the interstices of a paradoxically functional web. Nothing is explicit, as, contrasting with this almost sordid aridity, BW lets crop up the subtlety of his sight, which sees the city with a peculiar atmosphere, of nonachievement and permanent mutation.

Antifachada is a breakthrough essay paying homage to the city of São Paulo and, at once, it reconstructs the desire of seeing again some images living in the imaginary of the kid BW, who, at the beginning of the 1960s, in the district of Bom Retiro, saw the city as a mass of strange objects; cables, transformers, street lamps, high building seen from the bottom up, endless repetition of aligned windows.  He believes that his perception of São Paulo as an oppressive and dominating city, and, at once, beautiful and seductive, arose at that moment, in which he registered everything in his unlimited imagination. Antifachada is a work deeply personal, of sharp perception that captures life in a differentiated flow; now that it has been transformed into this expressive, instigating essay, it does not pretend to investigate the city from the descriptive point of view, even less ideologize the city, but glorify it in its fullness: plural and spectacularized through photography.

Golden Binding

The idea of this essay was much more of a photo album of the daily intimacy, a fine piece which would only be seen by friends and family. By publishing it, BW brings to other circuit a more simple production, without the glamour of ordered images, without the pretention of the momentary exaltation. Encadernação dourada offers circumstantial images of a life, through the observation of several moment of a trajectory, portraying the people who were the lighthouses that lightened the different paths the artist pioneered.

The publication of the photographs was developed under the purpose of registering a history, through different kinds of fragments, which show the singularities of a trajectory, and seem to be images belonging to a collective imagination. In our contemporary society, the lack of will and incapacity of the society of willing to remember is something usual. Therefore, these images get an aesthetical and historical dimension, for being collective memories, imagined, dreamt and even lived. The moments BW witnessed, with different intensities, represent the experimental dimension of a photograph, which, with simplicity, aims to transcend the limits to reach the human essence.

The photographs iconize the everyday life spectacle. None of the exaggerations of representation, only the registers of the ephemeral character of the true-life roles, seen by the photographer with dispersive look, yet deeply conscious, as the aim is to learn the visible world directly through the events. The fragments are set up in order to narrate the history of the artist who aimed to see the world through the lens that magnifies the details and widens the perception. BW does not want to occult the passage of time, but he wishes to contribute to the construction of a peculiar memory, which generalizes itself with enough intensity, able to cause the visual pleasure and the hope for an individual discovery.

The unity and incredible coherence of the publication are guaranteed in this work, initially produced without the aim of being glorious. Once the painter Iberê Camargo declared that “the figures that populate my pictures involve themselves into the sadness of the twilight of the days of my childhood”, and we can feel such atmosphere in BW’s photographs, in this series produced during a whole life, and that in the last eight years started to get an articulation, a synthetic reconfiguration able to irradiate the emotion of the true-life experience. This coherent lecture of his visual memories gives intensity to life in its radiant and bright splendor. As for it is very close to a recognizable poetic horizon, it abashes our hurried sight on the Other.

What we can detect in Encadernação dourada is the incredible communicative transparency. There is no technical overcoming. Through portraits produced in the studio and a series of snapshots, BW searched to perceive a visual discourse that understands life as a succession of selective fragments made at any day, when everything seems to emerge from a precarious state, which determines the atmosphere and uncertainness of the lack of conclusiveness. The main characteristic of this work actually stands in the energy found by the photographer, demonstrated by the spontaneous composition as through the intimate and intuitive pounding.

BW demonstrates that, from time to time, despites of the excess of works and the commitments, within the artist sprouts a restlessness from which burst out multiple interests – cinema, music, fashion, comics, among others. In the two essays we can see that live simultaneously the photographic making, excessively technical or not, it does not matter, as what is worth is the vibrating life in each image. For this very reason, we can feel that his speculative experience with the world of images is able to produce these two possibilities: the one of (seeing)(the)(city) and the quiet visual strangeness of the dream of the collective unconsciousness.

Rubens Fernandes Junior