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A Caminho do Mar

Desde a infância, sou passante e observador da paisagem feérica-misteriosa e lúgubre de Cubatão, espécie de insubordinação paisagística. Antipaisagem, localizada na fronteira exata: serra–mar. Metaforicamente, marco da transição trabalho–lazer.

 Feia ou bonita, minha experiência é distante de uma vivência bucólica e naturalista. O cenário de ficção científica, passagem obrigatória para quem buscava o litoral de São Paulo, suscitou em mim, fruto da cidade, urbanóide, mas curiosamente em freqüente fluxo até o mar, um misto de encantamento e medo, imagino, registrado nas imagens apresentadas aqui.

Sem que me desse conta, ao escolher fazer estas fotografias acabei detendo o olhar e freando em quadros o que era cinético, aquilo que foi fugidio, que via sempre em deslocamento rápido, enquadrado, pela janela do fusca dos meus pais, em movimento. O grande formato, tanto do filme 20 x 25 cm como das ampliações, aponta nesse sentido, frisando a cena, carregando-a de detalhes não vistos a olho nu. E o que se prefigurara nas minhas primeiras passagens, a paisagem ligeira, desimportante. Imantou-me. Pondo-me estático diante de seu mistério ao mesmo tempo atrativo e aterrorizante.

 A freqüência com que esse tema é consensualmente abordado me fez de saída procurar ao máximo distinguir este trabalho da esfera de um manifesto ecológico, apesar da oportunidade de nossa época. E, ainda que estes sejam absolutamente legítimos e necessários, meu impulso ao realizar estas imagens tem muito mais a ver com a experiência emocional evocativa de minhas primeiras passagens por lá, a caminho do refúgio, para mim, idílico, que meus pais buscavam nos proporcionar nas férias e fins de semana. Quando da estrada avistava a atmosfera plúmbea, as superposições de texturas e tubos gigantescos, profusões de luzinhas, vapores, imensas chaminés com fogo em cima – e a mata envolvendo tudo –, paradoxalmente anunciavam-se as férias e as delícias do verão.

Estas lembranças inscreveram-se na minha mente de uma forma indelével, atualizadas por minhas ainda freqüentes passagens por lá.

A caminho do mar.

Apresentado na Galeria Milan em 2017.

Bob Wolfenson

On the Way to the Sea

From a young age, I have been a passer-by and observer of the mysterious and eerie scenery of Cubatão, a form of landscape insubordination. An anti-landscape, situated strictly on the border: mountain – sea. Metaphorically, my point of transition, work – leisure. 

 

My experience is far from being bucolic and naturalistic, whether beautiful or not.  The science-fiction scenery, an obligatory passage to whoever wants to go to Sao Paulo’s coast, aroused in me - a city seed, an urbanoid, who is, curiously, always on the move to the sea - a mixture of enchantment and fear, depicted in the images presented here. 

Without noticing, as I chose to produce these photographs, I limited my vision and stopped before scenes that were somewhat kinetic, that had once escaped me as they dislocated rapidly before my eyes, framed by the window of my parents’ moving beetle. The large format of both the 20 x 25 cm film and the enlargements work in this way, accentuating the scene, filling it with details that cannot be seen by the naked eye. And it is what prefigured my first visits: that hasty and unimportant landscape. It captivated me, holding me there, static, before its attractive yet terrifying mystery. 

The multiple times that this theme has been consensually addressed forced me to find a way to distinguish this project entirely from an ecological manifesto, despite the opportunities of our day and age. Although these approaches are legitimate and of absolute necessity, my impulse when producing these photographs had a lot more to do with my emotionally evocative experience of my first moments along that passage, in search of the refuge, for me, idyllic, that my parents sought to provide for us during weekends and holidays. When the highway met with the leaden atmosphere, the superimposed textures and gigantic tubes, the profusions of lights and vapours, the immense chimney stacks spouting fire from their tops – and the forest encompassing it all – my holidays and the delights of summer were, paradoxically, announced.

 

These memories inscribed themselves in my mind in an indelible way, updated by my frequent encounters with Cubatão.

On my way to the sea. 

Shown at Galeria Milan in 2017.

Bob Wolfenson